Escuta Psicanalítica é aplicada por estudantes de Psicologia da UFMT para atendimento de demandas da Defensoria Pública

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Em artigo científico, é relatada a experiência de estágio do curso de Psicologia da UFMT no uso de técnica psicanalítica para atendimento a demandas no âmbito da Defensoria Pública. 

Um interessante artigo científico intitulado “As possibilidades da escuta psicanaliticamente orientada no âmbito da Defensoria Pública” publicado no periódico Psicologia: Ciência e Profissão, apresenta o relato reflexões tiradas do estágio de Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) realizado na Defensoria Pública daquele Estado (DPE).

O estágio realizado junto à DPE teve como objetivo, segundo as autoras do estudo, a “reflexão sobre a função da escuta psicanalítica em um contexto no qual os pedidos de ajuda precisam ser traduzidos em demanda jurídica“. A ideia que norteia as pesquisadoras é a que a demanda da clientela atendida pela DPE suplanta a necessidade jurídica, perpassando o próprio conflito interno e intersubjetivo das partes.  Segundo as autoras, seu estudo é orientado pela “hipótese de que por trás do pedido de garantia de direitos se encontram conflitos de interesses, sinalizado por certa dificuldade de quem pede ajuda ao Estado para lidar com os impasses resultantes dos (des)encontros com a alteridade. É essa hipótese que justifica as ideias psicanalíticas mobilizadas no texto“.

“A escuta psicanalítica, ao promover a circulação da palavra, trabalha no sentido de fazer emergir um sujeito que responde por sua situação, na perspectiva de que a solução técnico-jurídica dada ao conflito possa produzir efeitos de cidadania.”

Por ser um campo eminentemente configurado pela temática do Direito e de seus operadores e estudantes, a inserção de estagiários de Psicologia se constituiu como uma “uma prática inaugural e instituinte, em que a especificidade do trabalho do psicólogo foi se construindo na diferença com o trabalho dos operadores do Direito em questões relacionadas à área da família“, segundo as pesquisadoras.

Para ler mais sobre a pesquisa, leia o artigo na íntegra clicando aqui.

Quais os resultados do levantamento?

Segundo o estudo, a prática da escuta psicanaliticamente orientada fez emergir o trânsito e circulação da palavra, dos afetos e do pensamento, possibilitando a emergência do sujeito diante do conflito que o levou até a instituição, auxiliando na compreensão global do conflito, colaborando, inclusive como meio para reflexão sobre a prática institucional.

Como a escuta psicanalítica pode orientar casos das Defensorias Públicas? 

As autoras descrevem que, primeiramente, as práticas do Direito têm incentivado cada vez mais as partes a buscarem a solução dos conflitos com meios de solução de litígios alternativos, como a mediação, arbitragem e conciliação. “Versando a sobre um conflito (interno), ela convida o sujeito a se escutar e pensar sobre a posição subjetiva ocupada no conflito interpessoal e, muitas vezes, interno. Não visando a um acordo, mas à emergência do sujeito, a trabalha na perspectiva da produção de efeitos de cidadania a partir das soluções jurídicas encontradas”, dizem as autoras.

O que faz a Defensoria Pública?*

Citada como órgão de função essencial à Justiça pela Constituição Federal, a Defensoria Pública tem como objetivo oferecer, de forma integral e gratuita, aos cidadãos necessitados a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos.

 


Com informações do Artigo da Semana, do CFP, disponível em: http://site.cfp.org.br/artigo-da-semana-possibilidades-da-escuta-psicanaliticamente-orientada-no-ambito-da-defensoria-publica/

* Informações constantes do Site da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, disponíveis em: https://www.defensoria.sp.def.br/dpesp/Default.aspx?idPagina=2868