MATARUCCO, Ana Carla; RIBEIRO, Karla Cristina Rocha.
Psicologia/UNIMAR.
Email: [email protected]

É cada vez maior o número de mulheres em busca de novos sentidos e caminhos para sua vida, assim como uma melhor qualidade de vida com toda a correria e stress do dia a dia.

A Dança do Ventre é hoje considerada um exercício físico bastante procurado por mulheres de todas as faixas etárias, devido aos seus diversos benefícios à saúde causados através da integração mente e corpo.

Acreditando na possibilidade de transformação e nesses benefícios tanto físicos quanto psicológicos que a dança do ventre pode proporcionar para as mulheres, eu, como aluna e professora de dança há 20 anos, senti a necessidade de compreender a ligação entre a dança e a psicologia, tendo como base a teoria do precursor e estudioso da Psicoterapia Corporal, Wilhelm Reich.

O rumo escolhido por Reich seguia o caminho da relação do indivíduo na sociedade. Ele nos trouxe uma compreensão natural ou biológica do funcionamento psicológico do indivíduo e da sociedade.
O corpo é visto como local de acesso à história da pessoa, assim como marcas que se referem a histórias singulares e invisíveis, no processo de formação dos mecanismos de defesa, constituindo aquilo que Reich chamou de couraça muscular, ou seja, a energia bloqueada, o conjunto de mecanismos corporais alterados que mantém reprimidos os impulsos e as emoções.

Reich (1984) percebia que a psique (mente) e soma (corpo) estavam interligados e formava um só organismo, uma unidade interdependente no sentido de que um não pode existir sem o outro, tudo oque afeta uma pessoa dá-se na mente e no corpo ao mesmo tempo, apenas se diferenciando na qualidade da manifestação específica de cada um.

Para Moro (2004) a dança do ventre possui características bastante favoráveis ao contato direto com as couraças apresentadas na teoria reichiana e podem ser percebidas nos movimentos de dissociação das várias partes do corpo como cabeça, braços, tronco e quadril assim como na flexibilização principalmente pélvica e os exercícios respiratórios.

A dança do Ventre como expressão essencialmente feminina propõe-se, portanto, a trabalhar terapeuticamente a mulher contemporânea, auxiliando-a a superar os constantes desafios de uma sociedade ainda competitiva, estruturada segundo valores basicamente masculinos.

Para Bencardini (2002), o estudo da dança do ventre é uma fonte segura de auto conhecimento e crescimento pessoal. Desenvolve o senso de percepção e as aptidões latentes em cada praticante. A aluna pode acompanhar, aos poucos, sua evolução dentro da própria dança, e perceber que amplia seus horizontes, tanto em relação ao seu corpo, quanto à sua mente e espírito. Dançar é um ato livre de expressão, em que a mulher pode aprender a se conhecer e a lidar melhor com suas emoções. A dança é um instrumento de libertação feminina. É uma conquista pessoal.

O que se busca com a Dança do Ventre Terapêutica é um profundo conhecimento de si mesma, usando os movimentos da dança do ventre com a finalidade de conquistar a liberdade pessoal e individual, proporcionar bem-estar físico, emocional e psicológico, para a mulher viver com mais tranquilidade, qualquer que seja seu modo de vida.

O trabalho corporal e psicológico que ela exerce, consciente ou inconscientemente, contribui para elevar a autoestima, confiança e segurança, transformar suas emoções e desbloquear sentimentos reprimidos, relaxa e equilibra a mente e o corpo e diminui o estresse causado pela correria do dia a dia.

A Psicologia enquanto uma ciência que visa o bem – estar e a busca pela saúde mental do indivíduo pode encontrar na prática da Dança do Ventre, uma importante ferramenta de trabalho. Buscamos assim, publicitar a possibilidade destes dois eixos caminharem juntos com a finalidade holística da saúde mental dos indivíduos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRAHÃO, Carlos Eduardo Cantúsio. Wilheim Reich no século XXI: de violência à globalização. 2009.

BENCARDINI, Patrícia: Dança do Ventre, ciência e arte. São Paulo, 2002.

HERNANDES Janete Capel; PORTO Celmo Celeno. Dança do ventre e qualidade de vida com base na psicologia corporal: revisão integrativa. In: CONGRESSO

BRASILEIRO e ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS, XX, 2015. Anais. Curitiba: Centro Reichiano, 2015

KURTZ, Ron. O corpo revela: um guia para a leitura corporal. São Paulo: Summus, MORO, E. A dança do ventre como instrumento na psicoterapia corporal para mulheres. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA, CONGRESSO

BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais. Centro Reichiano, 2004.

ROBINSON, A.Paul: A esquerda freudiana – Wilheim Reich, GezaRoheim, Herbert Marcuse. 1969.

RIBAS, Cátia Davoglio; HAAS, Aline Nogueira.; GONÇALVES, Ângela Cristina Bugs. A influência da dança do ventre na imagem corporal de mulheres.

EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 178, Marzo de 2013.

 

Para citar este artigo:

MATARUCCO, Ana Carla; RIBEIRO, Karla Cristina Rocha. DANÇA DO VENTRE TERAPÊUTICA. Publicado em: 15 de junho de 2017. Disponível em: <http://blogdapsicologia.com.br/unimar/2017/06/danca-do-ventre-terapeutica/>. Acesso em: 21 de julho de 2017.

DANÇA DO VENTRE TERAPÊUTICA

Faça Seu comentário