Eduardo Carnello JATOBÁ[1]

INTRODUÇÃO

O presente artigo visa apresentar o tópico 3 do trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Bacharelado em Psicologia da Universidade de Marília – Unimar, sob o título Mentira e Detecção: Mecanismos Psicológicos e Indicadores Verbais e Não Verbais do Comportamento Mentiroso.

Trata-se da Teoria da Ativação-Decisão-Construção-Ação, desenvolvida por Walczyk et al (2014), em resposta a uma tentativa de se elaborar um esquema que dê conta de explicar o fenômeno da mentira sob o viés cognitivo, com seu consequente funcionamento e fundamentação.

O que aqui se expõe, ressalte-se, é apenas um trecho do trabalho que, por sua vez, apresenta de forma inicial a teoria para um leitor leigo no assunto. A proposta é que tal pesquisa seja ampliada e corrigida, futuramente, aprofundando-se a teoria aqui exposta.

1 A PERSPECTIVA COGNITIVA PARA DETECÇÃO DE MENTIRAS

Como problematizado no tópico anterior, a pesquisa no campo da detecção de mentiras, quando focada em aspectos voltados para a correlação entre o comportamento e a mentira, encontra limitações em seu alcance. Com efeito, a média de acertos de voluntários em pesquisas que visam aferir a possibilidade de identificação de falas com teor de verdade e mentira, com foco na observação do comportamento verbal e não verbal, revela níveis apenas medianos de acertos (BOND; DEPAULO, 2006; DEPAULO et al, 2003).

Com base nisso, as pesquisas mais recentes têm se voltado para o foco em técnicas que ensejem a posição mais ativa do entrevistador, bem como que estimulam maior carga cognitiva no entrevistado (VRIJ et al, 2011; VRIJ, 2015).

Compreender como a mentira é “fabricada” e como as funções superiores trabalham nesse processo auxilia na elaboração de métodos e técnicas que sejam eficazes em eliciar comportamentos mais nítidos que tenham a capacidade de distinguir quem diz a verdade de quem mente. Ademais, tal proposta pretende resultar em um maior número de indicadores sobre a mentira e facilitar sua detecção.

A premissa básica que serve como base dos estudos recentes no campo da detecção de mentiras é a de que a mentira pode demandar mentalmente mais do que dizer a verdade (VRIJ, 2015). Essa asserção se daria pelo fato de que a pessoa que assume o papel de detector de mentiras poderia aumentar a diferença na carga cognitiva que mentirosos ou pessoas que dizem a verdade experienciam por meio de intervenções específicas (VRIJ, 2015), de modo que a detecção pudesse, de fato, ter maior eficácia.

Teorias foram desenvolvidas por pesquisadores na área para embasar a formulação da mentira e, com base em resultados empíricos, propor esquemas que pudessem fundamentar aspectos técnicos. Conquanto pareça evidente a conclusão que mentir é mais oneroso que falar a verdade, algumas considerações devem ser levadas em questão para demonstrar o porquê dessa afirmação ter validade.

2 TEORIA DA ATIVAÇÃO-DECISÃO-CONSTRUÇÃO-AÇÃO

Uma dificuldade para a pesquisa na área da detecção de mentiras sob o enfoque cognitivo é a ausência de modelos que expliquem o processo da mentira. Uma exceção a essa constatação é o modelo formulado por Walczyk et al (2014) em sua Teoria da Ativação-Decisão-Construção-Ação, no original  Activation-Decision-Construction-Action Theory (ADCAT).

Antes de se adentrar na explicação do modelo proposto, importante destacar que um constructo da ciência cognitiva subjacente serve de alicerce à teoria supracitada. Trata-se da Teoria da Mente.

A Teoria da Mente é um dos pressupostos teóricos cognitivos que Walczyk e colaboradores recorrem na explicação de seu modelo, servindo como base do funcionamento sócio-cognitivo dos indivíduos (WALCZYK et al, 2014). Há, pois, um processo constante de inferências e adequações na fala de um emissor ao tentar ludibriar seu receptor com mentiras. Observa-se que há, portanto, emprego de recursos cognitivos pelo indivíduo ao mentir tanto maior quanto forem as consequências de ser pego em sua mentira.

A ADCAT esquematiza quatro fases envolvidas no processo da mentira, sendo elas: a ativação, a decisão, a construção e a ação. Em cada uma dessas fases, que seriam, em regra, sequenciais, mas que poderiam ocorrer de forma simultânea (WALCZYK et al, 2014), o emissor teria uma atitude ativa frente ao que é questionado, utilizando-se constantemente da Teoria da Mente para inferir o que o receptor busca, o que já sabe e quais serão os questionamentos que poderão ser feitos com base no que é dito, a fim de estabelecer uma linha do tempo concisa em sua mentira.

Cada módulo teria uma função específica e ligada sempre às funções executivas superiores, de forma especial com a memória de trabalho e a memória de longo prazo, além de sofrer influência constante da Teoria da Mente, do executivo central[2], e do buffer episódico.

2.1 FASE DA ATIVAÇÃO

O esquema em questão teria seu início com uma solicitação derivada do contexto social do indivíduo, ou seja, a ativação. Essa solicitação teria a forma de sinais explícitos (tais como uma pergunta) ou implícitos (a aproximação de um policial, por exemplo). A primeira interpretação feita pelo indivíduo, seja qual for tipo de solicitação social eliciada, será realizada por meio da Teoria da Mente. Ou seja, o indivíduo infere o que o contexto pede. Se for uma pergunta explícita, irá se basear no que é buscado, não se limitando apenas ao sentido estrito da mesma. Em um contexto implícito, por sua vez, buscar-se-á antecipar a pergunta intrínseca que supõe que será feita.

O processo de ativação irá fazer uso da memória de trabalho e de longo prazo, buscando memórias episódicas ou semânticas. Em regra, indivíduos que irão responder com verdades simples e cotidianas (nome, um local conhecido, o que fez no final de semana etc.) sobre o que é solicitado terão tempo de resposta mais rápido e menos oneroso pelo fato de que tais memórias serão rotineiras e simples. Porém, em alguns casos em que a verdade não é acessada com frequência ou em que haja um lapso grande de tempo entre a codificação e a recuperação da informação, pode haver uma carga cognitiva grande mesmo em quem pretende dizer a verdade justamente pelo fato de se realizar maior esforço cognitivo na tentativa de lembrar-se do fato solicitado.

2.2 FASE DA DECISÃO

A próxima fase da ADCAT diz respeito ao módulo da decisão. É nesta etapa em que o indivíduo, ao ser confrontado com uma solicitação pela verdade, raciocina qual resposta deve dar para minimizar as consequências ou para atingir seu objetivo. É tido como o mais importante componente da ADCAT (WALCZYK et al, 2014). Nessa fase, emoções e motivações irão surgir e impor carga cognitiva intrínseca no indivíduo que sabe que as consequências de um ato determinado serão ruins caso a verdade seja falada e que sofrerá com a pressão da possibilidade de ser pego em sua mentira.

Importante lembrar que o módulo de decisão terá maior carga cognitiva somente se se tratar de uma mentira séria com consequências relevantes.

Walczyk et al (2014), cientes de que a tomada de decisões sofre interferência das emoções, formularam a ideia de que, no ADCAT, a decisão é tomada de forma semi-racional[3], isto é, quando o indivíduo faz uma escolha dentre as opções consideradas que, embora não as melhores, são percebidas como as que mais chegam perto de atingir o objetivo, depois de se avaliar a utilidade, prós e contras mais evidentes da escolha das opções[4].

Para tanto, uma fórmula é apresentada por Walczyk et al (2014) para ilustrar a forma como alguém chega a um valor esperado da decisão:

EV = ∑pivi

 Na fórmula acima, EV seria o valor esperado, pi representaria a probabilidade de um resultado em particular e vi seria os ganhos e/ou perdas do resultado em questão. Para os resultados obtidos, a motivação para mentir seria ilustrada pela diferença entre o valor esperado ao mentir e o valor esperado ao dizer a verdade, que, por sua vez, é segue a seguinte fórmula:

 

M = EVmentir – EVdizer a verdade

 

A motivação para mentir (M) seria maior tanto maior fosse o resultado da fórmula (em uma escala de 0 a 10). Esse processo de cálculo ocorreria de forma inconsciente e desde que houvesse tempo suficiente para o indivíduo avalizar suas possibilidades. Em situações em que o indivíduo é confrontado com a pergunta antes de pensar sobre sua resposta, a carga cognitiva decorrente do processo seria considerável, podendo levar a indicadores verbais e não verbais de que o mesmo encontra-se sob forte pressão para dar sua resposta.

Exemplificando as fórmulas acima, utilizaremos o caso que Walczyk et al (2014) apresentam em sua pesquisa. Trata-se de uma marido que trai sua mulher com a amiga dela, em um único evento, se sente arrependido e quer se manter casado e feliz no casamento. O mesmo pensa sobre a situação e se deve dizer a verdade a sua mulher. Utilizando o modelo de decisão semi-racional, o mesmo intuitivamente supõe que, se contar a verdade, a chance de ocorrer um divórcio seria de 90% e os resultados, em uma escala de -5 (menos desejável) a 5 (mais desejável), seria -5, ou seja, o mais indesejável possível. No mesmo caso, os 10% restantes, situação em que o indivíduo prevê que a mulher não irá se divorciar, o resultado também seria desagradável, pois, segundo infere o indivíduo, o casal continuaria junto, porém sem confiança e sem a felicidade desejada, o que poderia representar -1 na escala. Tal avaliação seria traduzida pela seguinte fórmula:

EVdizer a verdade      = ∑pivi = (pdivórcio x vdivórcio) + (psem divórcio x vsem vdivórcio)
                                    = (.90 x -5) + (.10 x -1) = -4.6

Ao avaliar que sua atitude anterior seria negativa, o indivíduo cogita que mentir poderia ser uma alternativa para evitar o desgaste e manutenção de seu casamento. Assim, ele poderia estimar que a probabilidade de que sua mentira não ser detectada seria de 80% (pnão detectado = 0.80). Desse modo, poderia continuar casado, mas com o peso na consciência de se sentir culpado pela traição, que, na escala proposta, poderia equivaler a 3 (vnão detectado = 3). Os 20% da possibilidade de ser sua mentira ser detectada (pdetecção = 0.20), no entanto, levariam às piores consequências possíveis, tal como o divórcio, recebendo o valor de -5 na escala (vdetecção = -5). Dessa forma, a fórmula seria:

EVmentir   = ∑pivi = (pnão detectado x vnão detectado) + (pdetecção X vdetecção)

                   = (.80 x 3) + (.20 x -5) = 1.4

Utilizando, então, a fórmula para prever a motivação para mentir:

M = EVmentir – EVdizer a verdade= 1.4 – (-4.6) = 6.

Na situação acima, o resultado da equação referente à motivação para mentir mostrou-se alto (em uma escala de 0 a 10). A probabilidade, então, de que o indivíduo decida por mentir é maior do que dizer a verdade. Em casos em que a motivação a mentir seja alta, o indivíduo deverá empregar mais recursos cognitivos (enumeração de hipóteses, avaliação de cada uma delas, decisão de qual será a mais vantajosa etc.), além de sofrer mais pressão de suas emoções (WALCZYK et al, 2014). Em casos em que a complexidade seja elevada ou o ambiente social seja não familiar, a carga cognitiva também será maior. A exceção, no entanto, corresponde a fatos em que a resposta mentirosa já esteja ensaiada ou a complexidade ou contexto social favoreçam o emissor, diminuindo a carga cognitiva intrínseca a que se encontrará exposto.

2.3 FASE DA CONSTRUÇÃO

O componente da construção é a etapa em que, após o indivíduo ter se decidido pela manipulação da verdade, uma mentira será formulada com base no princípio da plausibilidade, na visão do receptor[6] e em como a Teoria da Mente opera nesse caso e, também, nas implicações referentes à carga cognitiva sofrida pelo em relação à complexidade da questão, do contexto social e da própria Teoria da Mente (WALCZYK et al, 2014).

Com base no contexto e nos objetivos de quem mente, a carga cognitiva pode assumir maior ou menor peso. Por exemplo, no caso citado acima, do marido que traiu sua mulher, a carga cognitiva seria intrinsecamente muito maior no caso de uma questão direta sobre por que o marido demorou, onde foi ou com quem. Isso porque o marido, após decidir por mentir, terá de criar um falso álibi com riqueza de detalhes, continuidade e coerência narrativa é com base nas inferências da Teoria da Mente sobre o que a mulher pode pensar, além de construir um cenário plausível à visão da esposa, com riqueza de detalhes suficientes para convencer a mesma. De outra banda, no entanto, se esse mesmo marido fosse questionado em uma entrevista de emprego se já teria furtado algo de sua antiga empresa, certamente a carga cognitiva seria bem menor. Isso porque, em sua Teoria da Mente, sua mulher o conhece muito melhor e tem meios muito mais amplos do que o entrevistador (pode, por exemplo, questionar os amigos que o marido eventualmente diga que estavam juntos), que desconhece hábitos mais íntimos do marido e carece de meios para criar alguma preocupação de ser descoberto.

O princípio da plausibilidade, proposto por Walczyk e colaboradores (2014) e que tem atuação no componente da construção pressupõe que o emissor da mentira, de forma intuitiva, baseado na Teoria da Mente do que o outro sabe e suspeita e, ainda, na formação de uma visão do receptor, irá tentar criar uma narrativa plausível de acordo com três critérios sucessivos. Primeiramente, irá tentar alterar a verdade ou uma memória episódica de um evento relacionado e pessoalmente vivido ou, ainda, de uma outra pessoalmente experienciada e fonte de detalhes autênticos. Não sendo possível pela ausência de tais eventos na memória de longo prazo, o segundo critério será o de esquematizar situações que são típicas de um determinado contexto e que podem servir de base para a mentira. Se mesmo assim isso não for possível, o último critério a ser adotado será o de formar a visão do receptor com base em inferências e informações aleatórias da memória de longo prazo e do meio.

De acordo com o esquema de critérios adotados acima para a plausibilidade de uma mentira, quanto mais o mentiroso precisa recorrer a recursos provenientes do segundo e terceiro critérios, maior será a carga cognitiva é menor a plausibilidade da mentira (WALCZYK et al, 2014).

Merece menção, ainda, o fato de que Walczyk et al (2014) proporem que a visão do receptor será moldada de forma mais refinada tanto quanto seja necessário. Tratar-se-ia aqui do conceito de visão multimodal do receptor. Ou seja, a mentira deverá ser construída com riqueza de detalhes auditivos (falas, conversas e como essas se desenrolam), visuais (ambientação, lugares, cores, formas, detalhes)  etc, produzindo maior carga cognitiva quando solicitada sem ensaios ou antes de ser construída.

Por fim, vale dizer que o ensaio ou antecipação de eventuais perguntas pode levar à construção anterior da mentira, diminuindo a carga cognitiva. Embora isso possa trazer maior dificuldade para a detecção da mentira, alguns indicadores poderão ser identificados, como se verá no módulo da ação a seguir.

2.4 FASE DA AÇÃO

O que merece ênfase nesta última etapa, a da ação, é que, a depender do contexto, complexidade e não familiaridade com o tema da mentira, a percepção do mentiroso de si mesmo, baseada na Teoria da Mente inferida pelo que o receptor considera como comportamentos honestos, irá inflingir carga cognitiva elevada no mentiroso. Isso porque a percepção que este tem de si é que não será levado a sério, precisando se adequar ao que entende como comportamentos sinceros (WALCZYK et al, 2014), diferentemente de quem diz uma verdade, cuja percepção de si é pautada pela ideia de que sua honestidade transparece naturalmente.

Desse modo, é de se esperar comportamentos muito mais controlados e cuidadosos de um mentiroso. Em outras palavras, haverá uma rigidez excessiva no controle de gestos, na ausência de erros de fala e da narrativa. Isso se dá pelo fato de que mais recursos cognitivos são utilizados para o autocontrole do comportamento, além da construção da mentira, fazendo com que a espontaneidade seja mínima pela tensão gerada pela carga cognitiva (WALCZYK et al, 2014).

Outra constatação é que, por ser normativo o comportamento de dizer a verdade (WALCZYK et al, 2014), haverá a geração de carga cognitiva intrínseca pelo componente da memória de trabalho, chamado executivo central, na retenção da verdade. Ou seja, há esforço em se inibir a verdade durante a construção da mentira. Isso é diretamente proporcional ao peso que o indivíduo dá à motivação de mentir e suas crenças sobre o assunto em questão. Em outras palavras, ocorre mais carga cognitiva em quem mente indo contra uma crença central justamente pela inibição da verdade, que reaparece na memória de trabalho e deve ser suprimida.

3 RELEVÂNCIA DO ADCAT, ALCANCES E DIREÇÕES FUTURAS

 Conforme foi exposto durante esta pesquisa, embora o campo da detecção de mentiras comporte interesse de alguns pesquisadores, estes têm esbarrado em questões relativas à eficácia da detecção (BOND; DEPAULO, 2006).

Outra questão que dificulta a pesquisa na área é o espaço qualitativo que há entre as pesquisas (conduzidas em ambientes e sob condições controladas) com a realidade (em interrogatórios). Embora seja cada vez maior a preocupação com a aproximação de situações que ensejem reações e sentimentos naturais, o fato é que somente teorias retiradas da experiência de estudos controlados não poderia prever o resultado da detecção em situações diferentes.

Não obstante, boa parcela dessa dificuldade é enfrentada com a esquematização de uma teoria da mentira formulada por Walckzyk e colaboradores (2014). O framework criado pelos pesquisadores possibilitou a visualização mais palpável da teoria e abre campos para o seu teste em situações que não sejam em ambientes controlados.

O que se buscou apresentar nesse estudo não deve, contudo, substituir a leitura do artigo original de Walczyk e colaboradores. Ademais, aconselha-se firmemente que tal fonte seja lida em sua íntegra, dado ao elevado grau de complexidade e refinamento que não puderam ser objeto de estudo mais aprofundado neste artigo.

Por fim, vale lembrar que o modelo proposto por Walczyk, bem como os estudos realizados por Vrij (2000; 2004; 2008; 2015; VRIJ; GRANHAG; PORTER, 2010; VRIJ et al, 2000; VRIJ et al, 2009; VRIJ et al, 2011) mostram-se como promissores no campo em questão. Isso se dá pelo fato de que a ênfase é orientado para a importância da cognição no processo de mentir. Com o modelo da ADCAT, de Walczyk et al (2014), foi possível demonstrar que a carga cognitiva, tanto enfatizada por Vrij (2015), desempenha e norteia os estudos futuros. Com efeito, tal direcionamento é recente mostrando-se, porém, promissor.

A forma como a entrevista para a detecção de mentiras é realizada deixa de ser meramente uma observação passiva e passa a ser estrategicamente pensada e ativamente direcionada, com o claro intuito de impor carga cognitiva no indivíduo por meio de intervenções específicas que eliciem comportamentos suspeitos. O objetivo da presente pesquisa não foi, no entanto, demonstrar a aplicação e fundamentos dos tipos de técnicas de entrevistas cognitivas que podem ser utilizadas. Estas serão objeto de estudo em pesquisas futuras.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOND, C. F.; DEPAULO, B. M. Accuracy of deception judgments. Personality and Social Psychology Review, v. 10, n. 3, p. 214-234, 2006.

DE PAULO, B. M. et al. Cues to deception. Psychological bulletin, v. 129, n. 1, p. 74, 2003.

VRIJ, Aldert. A Cognitive Approach to Lie Detection. In: ______; VERSCHUERE, Bruno. Detecting Deception: Current Challenges and Cognitive Approaches. John Wiley & Sons, 2015. p. 106-132. (e-book Kindle).

______. Detecting lies and deceit: Pitfalls and opportunities. Chichester (Inglaterra): John Wiley & Sons, 2008. (versão e-book Kindle).

______. Detecting lies and deceit: The psychology of lying and implications for professional practice. Chichester (Inglaterra): John Wiley & Sons, 2000 (versão e-book Kindle).

______. Why professionals fail to catch liars and how they can improve. Legal and criminological psychology, v. 9, n. 2, p. 159-181, 2004.

______; GRANHAG, P. A.; PORTER, S. Pitfalls and opportunities in nonverbal and verbal lie detection. Psychological Science in the Public Interest, v. 11, n. 3, p. 89-121, 2010.

______. et al. Detecting deceit via analysis of verbal and nonverbal behavior. Journal of Nonverbal Behavior, Nova Iorque, v. 24, n. 4, 2000.

_____. et al. Outsmarting the liars: Toward a cognitive lie detection approach. Current Directions in Psychological Science, v. 20, n. 1, p. 28-32, 2011.

WALCZYK, J. J. et al. A social-cognitive framework for understanding serious lies: Activation-decision-construction-action theory. New Ideas in Psychology, v. 34, p. 22-36, 2014.

 

[1] Licenciatura Plena em Filosofia pela Faculdade João Paulo II e Especialização em Neuroaprendizagem pela Universidade Norte do Paraná. Acadêmico do curso de Bacharelado em Psicologia (2013-2017) da Universidade de Marília – UNIMAR. E-mail: [email protected].

[2] Componente da memória de trabalho cuja função seria organizar e gerencias operações de tarefas cognitivas.

[3] Os autores utilizaram a palavra quasi-rational. Encontrou-se aqui uma dificuldade de expressar em termos exatos a significação dada ao termo, eis que o prefixo quasi não possui um prefixo correspondente no português. Sua ideia seria de “como que/se” ou “aparentemente”. Foi utilizado, no entanto, o prefixo “semi”, porém a palavra não deve ser interpretada como se a decisão fosse “meio racional” ou “incompleta de racionalidade”, mas sim com “de uma forma aparentemente racional”.

[4] A ideia que se busca passar é a de que, diferentemente de uma escolha plenamente racional em que os resultados são claros, certos e precisos, uma decisão “semi-racional” utiliza-se de suposições que mais se aproximam do que se é buscado.

[6] Walckzyk et al (2014) recorreram ao termo Target’s View, que, em uma tradução livre, significaria “visão do alvo”. Recorreu-se nessa pesquisa à substituição de “alvo” por “receptor” por questões de estilo, bem como que na comunicação de uma mentira o ouvinte será o receptor da mensagem. Desse modo, a palavra em questão mostra-se mais didática e explicativa para seu uso.

Para citar este artigo:

JATOBÁ, E. C. A Compreensão do Fenômeno da Mentira sob o Viés Cognitivo e com Base na Teoria da Ativação-Decisão-Construção-Ação. Publicado em: 1 de junho de 2017. Disponível em: <http://blogdapsicologia.com.br/unimar/2017/06/o-vies-cognitivo-na-deteccao-de-mentiras-e-a-compreensao-do-fenomeno-da-mentira-com-base-na-teoria-da-ativacao-decisao-construcao-acao/>. Acesso em: 22 de setembro de 2017.

DETECÇÃO DE MENTIRAS: A TEORIA DA ATIVAÇÃO-DECISÃO-CONSTRUÇÃO-AÇÃO
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