Autora: PINELLI, Tais Ábido Terciotti.
Orientadora: RIBEIRO, Karla Cristina Rocha.
Psicologia/UNIMAR.
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O Transtorno de Personalidade Borderline (causado por um desequilíbrio químico no cérebro), trata-se de um funcionamento psicodinâmico em que as angústias primitivas, a intolerância a ansiedade e frustações juntamente com fortes sentimentos de raiva predominam no indivíduo. O termo Borderline significa “fronteiriço”, foi criado na metade do século XX, onde nessa época acreditava-se que os comportamentos, hoje considerados como o do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) fossem vistos como fronteira entre neurose e psicose. É considerado hoje como um distúrbio específico de personalidade.Este transtorno tem início na infância e pode passar despercebido até a idade jovem (aproximadamente aos 20 anos). Suas causas indicam ser uma condição herdada geneticamente, ou em outros casos, podemos dizer que é decorrente de um trauma ocorrido na infância, incluindo algum tipo de abuso, podendo ser sexual, emocional ou físico.

Este transtorno acomete cerca de 10-14% de toda população, sendo mais provável sua prevalência no sexo feminino, com 75% dos casos. De acordo com os estudos do Instituto Nacional de Saúde Mental, os portadores deste transtorno apresentam diversas sensações, muitas vezes conflitantes, manifestando tensão aversiva, incluindo raiva, tristeza, vergonha, pânico, terror e sentimentos crônicos de vazio e solidão. Outro aspecto é a exorbitante reatividade do humor: essas pessoas, com frequência, mudam com muita rapidez de um estado para o outro, passando por momentos disfóricos durante o dia.

A cognição do borderline é alterada. Há ideias valorizadas de estar mal, experiências de dissociação – despersonalização e perda da realidade – outros sintomas são bem parecidos com os psicóticos, com episódios transitórios de ilusões e alucinações, com base na realidade. O distúrbio de identidade pertence ao estado cognitivo, pois a pessoa se baseia em uma série de crenças falsas, como por exemplo, a de que uma pessoa é boa em um momento, e no outro ela é má.

Outra característica marcante neste quadro é a impulsividade que se manifesta de duas maneiras: há pacientes autodestrutivos que apresentam comportamentos suicidas, podendo apresentar automutilação, ameaças e suicídio; outros pacientes manifestam formas mais intensas de impulsividade, caracterizando-se pelo udo de drogas, alimentação desordenada, participação em orgias, explosões verbais e direção imprudente.

Por último, esses pacientes apresentam relacionamentos intensos e instáveis, onde seus problemas mais comuns são o medo excessivo de serem abandonados, se comportando de maneira delirante numa tentativa de evitar serem deixados, pois têm uma percepção de rejeição que pode ocasionar alterações na cognição, no comportamento e na imagem, acreditando que os abandonos significam que eles sejam maus. Exigem passar muito tempo com uma pessoa e logo de início costumam compartilhar detalhes pessoais. Sendo assim, há uma rápida desvalorização por parte do doente ao achar que a outra pessoa significativa não se importa com ela.

São indivíduos de muita apatia e carinho, pois acreditam que as pessoas ao redor sempre vão estar dispostas a satisfazer suas necessidades. Sua autoimagem pode ser vista como um distúrbio de identidade, fazendo com que tenham repentinas mudanças de opiniões acerca da identidade sexual, carreira e amigos.

Várias causas  foram apontadas para este transtorno. Pode-se dizer que, além do componente genético, as experiências traumáticas vivenciadas na infância é ainda mais relevante. O abuso sexual e a negligência causa a desregulação emocional e a impulsividade, levando aos comportamentos não-funcionais, déficits e conflitos psicossociais. Estes, por sua vez, agravariam a desregulação emocional.

O impacto social que este transtorno traz é muito grande, sua taxa de mortalidade por suicídio é alta, atingindo 10% dos pacientes borderline.

Seus sintomas se estendem desde o “neurótico”, passando pelos distúrbios de personalidade, até o “psicótico”. Atualmente, o TPB deixou de ser uma relação de neurose-psicose passando a ser um distúrbio de personalidade em que predominam comportamentos impulsivos, sentimento de vazio e defesas egóicas.

Os vínculos que se constroem entre pais e filhos têm um papel de muita importância no desenvolvimento da saúde mental e no desenvolvimento da patologia no decorrer da infância e da adolescência. Considera-se que as relações saudáveis funciona como uma espécie de proteção. Em contrapartida, vínculos considerados inseguros e desorganizados, indicam sofrimento psíquico dos adolescentes, se expondo em situações de vulnerabilidade afetiva e emocional.

Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável segundo o CID-10 (p.200)

F60.3 Transtorno de Personalidade emocionalmente instável

Um transtorno de personalidade no qual há uma tendência marcante a agir impulsivamente sem consideração das consequências, junto com instabilidade afetiva. A capacidade de planejar pode ser mínima e acessos de raiva intensa podem com frequência levar à violência ou a ‘’ explosões comportamentais’’; estas são facilmente precipitadas quando atos impulsivos são criticados ou impedidos por outros. Duas variantes desse transtorno de personalidade são especificadas e ambas compartilham esse tema geral de impulsividade e falta de controle.

A Classificação Internacional de Doenças – Volume 10, divide o Transtorno de Personalidade emocionalmente Instável (Código F60.3) em dois tipos: impulsivo e borderline.

F60.30 Tipo Impulsivo

As características predominantes são instabilidade emocional e falta de controle de impulsos. Acessos de violência ou comportamento ameaçador são comuns, particularmente em resposta a críticas de outros. (p.200)

Para que o critério geral do Transtorno de Personalidade deve ser alcançado, pelo menos 3 dos seguintes sintomas abaixo devem estar presentes, sendo obrigatório a presença do sintoma B;

A- Tendência em agir impulsivamente e sem considerar as consequências.

B- Tendência a comportamento briguento e entra em conflito com os outros, principalmente quando os atos violentos são contrariados.

C- Tendência a explosão de ira e violência, com incapacidade de controlar os resultados subsequentes.

D- Dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa imediata.

E- Humor instável e caprichoso.

F60.31 Tipo Borderline (limítrofe)

Várias das características de instabilidade emocional estão presentes, em adição, a autoimagem, objetivos e preferências internas (incluindo a sexual), do paciente são com frequência pouco claras ou perturbadas. Há em geral sentimentos crônicos de vazio. Uma propensão a se envolver em relacionamentos menos intensos e instáveis pode causar repetidas crises emocionais e pode estar associada com esforços excessivos para evitar abandono e uma série de ameaças de suicídio ou atos de autolesão (embora esses possam ocorrer sem precipitantes óbvios). (p.200).

Para que o critério geral do Transtorno de Personalidade seja alcançado, pelo menos 3 dos seguintes sintomas mencionados no critério 2 do Tipo Impulsivo devem estar presentes e pelo menos 2 dos sintomas abaixo devem estar presentes.

A- Perturbações e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências internas (incluindo sexualidade);

B- Tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, levando a crises emocionais;

C- Esforço excessivo a fim de evitar abandono;

D- Atos ou ameaças de autolesão ou suicídio;

E- Sentimentos crônicos de vazio.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECK, A., FREEMAN, A. Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993.

DALGALARRONDO, P. História da Psicopatologia do Transtorno Borderline: da esquizofrenia latente aos transtornos de Personalidade. Psiquiatria Biológica. Setembro, 1996.

 

Para citar este artigo:

PINELLI, Tais Ábido Terciotti; RIBEIRO, Karla Cristina Rocha. TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE. Publicado em: 20 de junho de 2017. Disponível em: <http://blogdapsicologia.com.br/unimar/2017/06/transtorno-de-personalidade-borderline/>. Acesso em: 21 de julho de 2017.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

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