A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

AUTORAS: LOYOLA, Daniela Ribeiro; NASCIMENTO, Denise Laís; LINO, Laureen Bruna Rodrigues.
ORIENTADORA: RIBEIRO, Karla Cristina Rocha.
Psicologia/UNIMAR.

Não existe uma única causa que predispõe o adolescente ao uso de drogas, são fatores multifatoriais como problemas familiares, escolares, profissionais e sociais que fazem com que o individuo em busca de seus conflitos, busque uma falsa solução para o alivio de suas angustias. (Cruz, Roseli Amadeu e Dias, Josenira Borges 1991)

O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão teórica sobre a importância da família no tratamento da , e buscar a união entre os membros da família para que ocorra a diminuição do sofrimento e redução do conflito, já que é impossível tratar somente o individuo.

A FAMÍLIA COMO SISTEMA

Abordaremos ao conceito de família, pois o problema da toxicomania deve ser compreendido dentro do âmbito familiar, para isso usaremos o referencial teórico da Terapia Sistêmica Familiar.

A Terapia sistêmica familiar é uma linha de teoria que enfatiza a relação entre as variáveis de um problema, acreditando na família como um sistema de formação e manutenção de um sintoma.

Esse modelo de terapia enfatiza que a família é um sistema. Segundo Von Bertalanffy (1968): “A família é um complexo de elementos em interação, um todo organizado ou ainda, partes que interagem formando esse todo unitário e complexo” (Cerveny, Ceneide Maria de Oliveira, 1994, p.84)

Para Minuchin e Fishman (1990, p. 21) a família é formada por “um grupo natural que desenvolve padrões de interação, que governam o funcionamento dos membros, delineando seus comportamentos e facilitando seu convívio, constituindo um sistema.”

Na terapia familiar algumas categorias de famílias usadas são:

A Família de Origem (FO) este modelo está ligada a laços sanguíneos, sendo assim a família de origem do individuo.

A Família Extensa (FE) é a visão que temos quando estamos na prática clínica, onde pressupõe a definição de família por parentesco, ou afinidade a pessoas que se articula com o presente.

A Família Nuclear (FN) que é formada por cônjuges em um primeiro casamento com seus filhos biológicos.

A Família Substituta (FS) que refere-se a família de criação de pessoas pela qual o individuo não possui laço sanguíneo.

Portanto na pratica da Terapia familiar, o tipo de família não importa, Wyne (1982) faz a redefinição de família como um sistema dentro do qual as pessoas vivem no mesmo espaço físico e mantêm relações significativas. (Cerveny. Ceneide. Maria de Oliveira 1994 p.22)

A família tem a função de proteger e desenvolver as competências de como lidar com frustrações e impor limites, na adolescência em especial. Para que as frustrações vividas pelo adolescente não sejam favorecedoras ao uso de sustâncias químicas, alguns dos fatores de proteção contra o uso de sustâncias químicas são:

Pais que acompanham as atividades dos filhos, estabelecimento de regras e de conduta claras, envolvimento afetivo com a vida dos filhos, respeito aos familiares, estabelecimento claro da hierarquia familiar.

Os fatores de risco dentro das relações familiares são:

Pais que fazem uso abusivo de drogas, pais que sofrem de doenças mentais, pais que são excessivamente autoritários ou muito exigentes, famílias que mantém uma cultura aditiva (SENAD Prevenção ao uso de drogas 2013 p.117).

A teoria familiar sistêmica nos fornece uma ampla visão do tratamento da toxicomania, analisando o contexto familiar como um sistema que age de forma dinâmica e que, inclui variáveis importantes no entendimento de um problema como o da dependência química, pois embora não se possa afirmar que a disfunção familiar gere a dependência química, clínicos e estudiosos observaram características comuns na família de usuários, portanto os estudiosos não se referem à família como causadora da dependência química, mais percebem o drogadicto como um “bode expiatório” de um sistema familiar disfuncional.

O terapeuta de família busca compreender as causas disfuncionais da família. Nesse caso o terapeuta trabalha de uma forma onde regras definem as relações, em busca da redução do conflito e de uma maneira onde todos aprendam novas formas de superar suas dificuldades.

RELAÇÃO ENTRE FAMÍLIA E

A adolescência é a fase onde o ser humano passa por transformações físicas, psicológicas e sociais, entrando assim numa fase de transição biopsicossocial.

Segundo Amadeu Roselli Cruz e Josenira Borges Dias em (1991), não existe uma única causa que predispõe o adolescente ao uso de drogas, são diversos fatores como problemas familiares, escolares, profissionais e sociais que fazem com que o individuo em busca da fuga de seus conflitos, busquem uma falsa solução para o alívio de suas angústias.

A droga não tem problemas e sim o ser humano que, então procura na droga, no excesso de álcool, sexualidade mal exercida, na violência e agressividade, uma forma de alienação, adaptação ou convivência com seus problemas não resolvidos ou uma falsa solução para eles. (Cruz, Amadeu Roseli e Dias, Josenira Borges 1991 p.13)

Os adolescentes em busca da fuga de suas crises individuais ou socias, tentando resolver seus conflitos iniciam o uso de substâncias químicas pois acreditam ter o controle da situação. As justificativas mais comuns ressaltadas por Drummond e Drummond Filho (1998) são:

A necessidade de estimulação ou de calma, necessidade de dormir ou de se manter acordado, emagrecer ou engordar, esquecer ou memorizar, fugir ou enfrentar, suportar situações difíceis ou a rotina, inspirar ou relaxar, fortalecer , sentir prazer, aliviar a dor, a depressão ou qualquer sentimento. (Drummond, Filho 1998 p.37)

Xavier (1995) enfatiza que o dependente químico é um indivíduo que se encontra diante de uma realidade insuportável, da qual não consegue mudar, a droga é uma solução para alterar esta realidade, portanto o comportamento de drogar-se torna um ato impulsivo.

“Não se trata do desejo de consumir drogas, mas da impossibilidade de não consumi-las” (Filho, Dartiu Xavier da Silveira 1995 P.07)

Assim o individuo estabelece um duo indissociável com a droga enquanto isso a droga o proporciona a alteração da percepção de uma realidade pela qual o individuo não suporta, sendo assim para o usuário a droga passa a ser uma questão de sobrevivência.

A participação da família é essencial desde o início do tratamento, pois a comunicação com os familiares traz dados fundamentais para o esclarecimento do diagnóstico, quando o conflito familiar interfere no tratamento é indicado a terapia de família onde é aprimorada a comunicação dessa família.

Quando um filho é usuário de drogas os pais devem ter consciência de que a relação familiar tem influência nas atitudes que o adolescente possa tomar frente ao convite das drogas, e que o seu apoio é fundamental para que este venha a buscar e aceitar a ajuda através de tratamento. (Campos, 2002; Vizzolto, 2000 Apud Nogueira, Juliana G)

O Tratamento da dependência química não se resume em buscar apenas a ausência das drogas, mas também a construção de um novo estilo de vida, tanto para o dependente quanto para a família. A família deve fazer uma reflexão sobre a história, as regras, os papéis e as funções que foram estabelecidas no ambiente familiar, estar consciente de que para a mudança de seu ente que se encontra em um estado de dependência de drogas, é preciso que ela também esteja disposta a modificar a sua forma de ser, se relacionar e de perceber a si mesma. Pois a relação interpessoal familiar tem influência sobre a melhora do dependente. (Bernardi, 2002; Campos, 2002; Monteiro, 2000; Penso, 2000 Apud Nogueira, Juliana G)

Com isso, a família e os amigos dos usuários, devem se livrar dos preconceitos e devem buscar informações que auxiliem no tratamento, pois a melhora do usuário trará mudanças positivas para todo o restante.

A família consiste em uma unidade cuidadora, nas situações de saúde e doença de seus membros. Assim o tratamento não se restringe a interações e medicamentos, mas em ações e procedimentos que visem a reintegração familiar, bem como uma melhoria na qualidade de vida do doente e do familiar. (Sharanck e Olschowky 2007 Apud Silva, Rodrigo Sinnot e Azevedo, Carolina Santos De)

Portanto fica claro que a família tem o dever de apoiar o dependente e participar de todos os estágios do tratamento, pois além de apoiar o indivíduo a família tem o papel de motivar se tornando assim uma ferramenta decisiva para a eliminação da dependência química.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

KALINA, E. Drogadicção: Indivíduo, família e sociedade. 1ªed. Rio de Janeiro, 1976.

MINUCHIN, S. Técnicas de terapia familiar. 1ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

Nogueira, Juliana G. A importância da família na problemática da drogadição com adolescentes sob o olhar da análise do comportamento / Juliana Guimarães Nogueira. Bebedouro: Fafibe, 2009.

Para citar este artigo:

LOYOLA, Daniela Ribeiro; NASCIMENTO, Denise Laís; LINO, Laureen Bruna Rodrigues; RIBEIRO, Karla Cristina Rocha. A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA. Publicado em: 23 de agosto de 2017. Disponível em: <http://blogdapsicologia.com.br/unimar/2017/08/a-importancia-da-familia-no-tratamento-da-dependencia-quimica/>. Acesso em: 19 de novembro de 2017.