Conheça um pouco sobre o trabalho de Rosely Pereira, palestrante na quarta-feira (30/08) na SAPSI

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Programação Semana de Psicologia Unimar 2017

Quarta-feira 30/08
MESA REDONDA: Fenomenologia e Esquizoanálise: contemplando o sujeito contemporâneo.

Uma das palestrantes é Rosely Maria Roça Pereira
(Psicóloga graduada pela UNESP, terapeuta em Constelações Familiares (EMDR) – EUA.

Conheça um pouco sobre o trabalho de Rosely, em seu artigo já publicado em nosso blog:

 

 

TERAPIA SISTÊMICA DE CONSTELAÇÃO FAMILIAR

Por Rosely Maria Roça Pereira, Psicóloga

 

Estou em contato com a Terapia Sistêmica de Constelação Familiar  desde 2010. Continuo fascinada porque, constantemente, vivencio como as pessoas que participam se veem refletidas corretamente, pelos representantes e se beneficiam muito. Além disso, verifico que é fundamental e importante integrar em minha prática esta terapia diante dos resultados observados de melhora e autonomia dos pacientes.

Trata-se da abordagem fenomenológica terapêutica fundamentada nas descobertas do alemão Bert Hellinger, nascido em 1925. Como membro de uma Ordem Religiosa Católica, trabalhou durante 16 anos na África do sul, dirigindo escolas de nível superior. No início dos anos 70, deixou a Ordem dedicando-se então a psicoterapia. Cursou Psicanálise em Viena. Aprofundou-se em dinâmica de grupo, Terapia Contextual de Ivan Boszormeny-Nagi, Terapia Primal, Análise Transacional, Técnica da Família Simulada de Virginia Satir, Psicodrama, Hipnoterapia e desenvolveu sua própria terapia traduzida como Constelação Familiar, no Brasil. Esta se baseia no uso de representantes neutros para representar membros da família ou grupo social, do cliente e trabalhar tema específico trazido por este último.

Após várias observações, durante anos, Bert concluiu que há uma dinâmica atuando em todo sistema familiar, em sua história, em seus acontecimentos. Tal dinâmica segue leis próprias que ele denominou “Ordens do Amor”. Quando essas leis são desrespeitadas, o amor não flui dentro da família, enfraquecendo o indivíduo, adoecendo ou conduzindo a comportamentos inadequados. Segundo destaca Bert:

“O aspecto mais importante foi reconhecer que o amor atua atrás de todos os comportamentos, por mais estranhos que nos pareçam, e também de todos os sintomas de uma pessoa” (BERT, 2007, p.407).

“ORDENS DO AMOR”

  Nas relações afetivas o comportamento humano é regido por três leis:

PERTENCIMENTO: ninguém pode ser excluído do sistema familiar. Quando isso ocorre, alguém em outra geração repete o destino do excluído.

HIERARQUIA: Estabelecida pela ordem de chegada, que indica o lugar certo que cada um ocupa no sistema familiar.

COMPENSAÇÃO: É o equilíbrio entre o dar e receber. O desequilíbrio coloca a relação em risco.

          Diz Bert: “Penetrar as Ordens do Amor é sabedoria. Segui-las com amor é humildade”(BERT, 2006, p.15)

 

COMO SE REALIZA UMA CONSTELAÇÃO?

Pode ser realizada individual, na clínica, através de bonequinhos ou âncoras de solo que representam membros da família, ou doenças, vícios, situações, sentimentos, etc., ou em grupo, em workshop.

Em grupo, a pessoa que quer trabalhar um tema (pessoa que quer ser constelada) escolhe, entre os participantes do grupo, representantes para os membros de sua família e também para si mesmo, posicionando-os no recinto, de acordo com suas imagens internas. Os representantes, que passam a ser modelos vivos do sistema familiar, têm sentimentos e pensamentos semelhantes com o dos membros verdadeiros, mas sem conhecimento prévio. O terapeuta, dirigente da Constelação, após entender o padrão dos conflitos de relacionamento existentes, faz as propostas de intervenção, para trazer a luz, as causas que estavam ocultas, invisíveis, possibilitando assim a solução, ou seja, restabelecer as “ordens do amor”.

Sobre este trabalho Ursula Franke diz:

O trabalho de constelações de Bert Hellinger é uma forma de terapia breve, orientada pelas soluções. Traz à luz, de forma rápida e precisa as dinâmicas que ligam o cliente de uma forma disfuncional ao seu sistema de referência, que o limitam em suas possibilidades de ação e desenvolvimento pessoal, impedindo-o de estruturar a sua vida de uma forma positiva. No método das constelações são incluídas experiências técnicas e formas de procedimento de outras abordagens e escolas de psicoterapia, por exemplo, a hipnose, a terapia comportamental, a terapia gestalt e a terapia sistêmica (FRANKE, 2006, p.21).

A primeira pergunta que surge: como é possível um representante ter sintomas e comportamento de pessoas que ele nem conhece? Bert, em seus seminários, alega que não está capacitado para explicar esse fenômeno, sabe que existe e utiliza.   Outros estudiosos, porém, se aprofundaram, como o biólogo Rupert Sheldrake que propõe a ideia dos campos morfogenéticos. Eles nos auxiliam na compreensão de como os sistemas adotam comportamentos que se repetem geração após geração. São campos de memórias dotados de informações, onde o passado se torna presente pela ressonância mórfica.

 

TEMAS ABORDADOS:

– Relacionamentos com familiares (pai, mãe, marido/esposa, filhos, avós tios, etc.);

-Acontecimentos familiares marcantes (adoções, mortes precoces, assassinatos, suicídios, abortos, perdas, doenças, etc.);

– Sexualidade;

– Problemas de saúde (doenças, dores)

– Compulsões (drogas, álcool, comida, sexo, jogos, etc.)

– Conflitos profissionais com chefes, colegas de trabalho, empresas;

– Relação com dinheiro;

– Questões empresariais e administrativas;

– Sonhos recorrentes;

– Sentimentos e sensações.

 

ATITUDE TERAPÊUTICA DO CONSTELADOR

A Constelação familiar caracteriza-se como um método sistêmico. O terapeuta vê na pessoa que quer ser constelada o seu sistema familiar e o destino que está vinculada. É um processo de sintonização onde ele abandona a racionalização, o julgamento, pré-conceitos, medos e se abre para o campo da pessoa. Concentrado, surgem às primeiras percepções. Essas levam a ação de ajuda, que fica no essencial. Assim, o terapeuta inicia os passos da Constelação, sempre de um modo novo, inesperado, e, muitas vezes surpreendentes.

 

AS VANTAGENS DO MÉTODO:

É rápido, profundo e consegue mostrar algo que nas terapias convencionais não era percebido, facilitando e tornando-as mais breves. Ajuda as pessoas a entenderem que seus comportamentos estavam enredados no sistema familiar, sem culpa, mas com responsabilidade. Abrindo novas possibilidades de se confrontarem com os fatos, liberando-os para uma vida saudável.

Franz Ruppert afirma:

“O método da Constelação estimula o pensamento multigeracional e possibilita a compreensão de problemas que atravessam gerações” (RUPPERT, 2012, p.195).

Acrescenta ainda: Sendo um método que funciona parcialmente sem palavras, ele ajuda a acessar sentimentos que ficam gravados inconscientemente e antes do uso da palavra. O método da constelação proporciona a muitas pessoas o acesso a seus processos interiores, que eles de fato percebem em si, porém não entendem adequadamente e não conseguem articular. Muitas vezes, basta que o paciente veja os representantes em sua constelação, para que sejam ativados em seu interior padrões emocionais sepultados. Com a ajuda do método da Constelação é possível ter acesso a estruturas psíquicas que jamais seriam acessíveis por meio de intervenções verbais. Essa vantagem do método tem um valor inestimável, de modo especial, para elaboração de experiências traumáticas da primeira infância. (RUPPERT 2012, p.196)

 

Essa terapia pode revelar conexões transgeracionais, ou seja, acontecimentos traumáticos nas famílias que passam de geração para geração, impulsionando a terapia individual, pois toda abordagem apresenta limitações, devido à complexidade do ser humano.

Ela se aplica a várias áreas das relações humanas. Além de melhorar as relações familiares, ela também tem efeitos surpreendentes na área da pedagogia sistêmica e mostra-se eficaz como um instrumento de intervenção da consultoria empresarial.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRANKE, U. Quando Fecho os Olhos Vejo Você. As Constelações Familiares no Atendimento Individual ed., Patos de Minas: Atman 2006.

_________Trauma, Transe e Transformação ed., São Paulo: Conexão Sistêmica, 2012.

HELLINGER, B. Ordens do Amor ed., São Paulo: Cultrix, 2007.

____________ O Amor do Espírito ed., São Paulo: Atman 2012.

____________ Simetria Oculta ed., São Paulo: Cultrix 2006.

RUPPERT, F. Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos ed., São Paulo: Cultrix, 2012.

SCHNEIDER, J. R. A Prática das Constelações Familiares ed., Patos de Minas: Atman, 2007.